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1976: JOGO TERMINA NA DELEGACIA
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Geralmente,
o futebol ocupa, nos jornais, o espaço dedicado aos esportes.
O Campeonato Baiano de 1976 mudou um pouco a regra. No dia 25 de julho,
assim que o clássico Bahia x Vitória terminou, a Fonte
Nova foi palco de um conflito que envergonhou o futebol baiano. Os jogadores
do Bahia, que tinham sido derrotados por 1X0, inconformados com o resultado,
partiram para cima dos jogadores do Vitória. Não foi o
primeiro incidente, já que em outros jogos, a prática
anti-desportiva foi idêntica. Só que, desta vez, acabou
na delegacia.
Rodolf
Fischer, Jurandir, Jorge Valença e Léo Sales, todos eles
jogadores do Esporte Clube Vitória, dirigiram-se até a
Primeira delegacia no mesmo dia. Acompanhados pelo presidente do clube
Alexi Portela, foram submetidos a exame de corpo delito. O artilheiro
argentino Fischer apontou Paulo Maracajá ( diretor do Bahia),
Perivaldo, Sapatão e Jesun (jogadores), como os seus agressores.
Irritado, Fischer lamentou o acontecimento:
"Esses
caras são uns selvagens. Não sabem perder. Todo jogo que
ganhamos eles procuram apelar. Perdemos recentemente para eles e não
houve problemas. Futebol não é isto. Vim da escola do
futebol argentino, onde o esporte é muitas vezes viril, mas não
há deslealdade. Futebol é para profissionais autênticos
e não para selvagens."
Este
episódio originou alguns comentários irônicos e
espirituosos. Tim, o técnico do Vitória, que fora um dos
grandes craques do futebol brasileiro, comentou:
"Andaram
falando que o Bahia viria a campo treinar. Realmente, também
preparei meu time para um treino. E como em treino, tem que haver gol,
o Vitória foi lá e ganhou o coletivo."
Já
o presidente do Esporte Clube Vitória, Alexi Portela, para protestar
contra o ato de violência, enviou uma carta de renúncia
ao presidente do Conselho Deliberativo, Luis Catarino Gordilho. O trecho
mais interessante da carta é o seguinte:
"Sou
presidente de um clube de futebol e não presidente de uma equipe
de lutadores profissionais. Não vou trazer craques para o meu
time para depois fazer suas esposas viúvas. Meus jogadores são
agredidos todas as vezes que ganham do Bahia. Então, cheguei
à conclusão de que ganhar do Bahia é um crime.
Como não podemos ganhar do Bahia, sem que nossos jogadores sejam
massacrados, é melhor sair para não comandar um time que
deixará muitas senhoras viúvas."
E
eis o dia em que o futebol ocupou a página policial.
Autor
Anônimo

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