Tem-se a certeza de que o cidadão está ruim da cabeça ou doente do pé quando, logo na esquina entre a segunda e a terceira linha, ele cita e (pior) concede razão à Vedete de Santo Amaro. Mas, realmente, não há como contestar Caetano: “aqui tudo parece que ainda é construção e já é ruína”, especialmente em se tratando do ludopédio.
Puta que pariu Dona Canô!
Pois muito bem. É provável que a referida matriarca, que já caduca há séculos, nem se lembre, mas vocês, estudiosos do pebolismo, sabem que em janeiro do ano passado foi (re) inaugurado com pompas e circunstâncias o Estádio Roberto Santos, conhecido na roda do crime como Pituacivisky, para não dar rima. Pois bem. O referido campo, senhoras e senhores, é o único na capital a sediar os jogos do Baianão/2010, já que a Fonte Nova não se livra da tragédia e o Barradão está passando por reformas.
Aí, vocês perguntam: e o que é que a ex-mulher de Paula Lavigne tem a ver com isso? E eu respondo. Seguinte é este, rebain de sacanas. Com menos de um ano de uso, o recém-construído Estádio está uma ruína, completamente inválido para a prática do futebol. Mais. Até mesmo os pilotos do antigo Paris-Dacar teriam certa dificuldade para atravessar aquelas esculhambadas quatro linhas. É lógico que isto não afetará em nada o certame, já que no Baianão não acontece nada que lembre ao longe o velho e bom ludopédio.
Mas, chega de prosopopéias. Vamos falar de jangada, que é pau que bóia (deixa o acento, revisor sacana).
Seguinte é este. O brioso campeonato baiano começou no último domingo sob o signo do geriátrico desmantelo. Talvez para honrar o posto de 2º mais antigo do país, os dirigentes resolveram investir na terceira idade e preparar uma equipe forte para disputar o showball no próximo ano. As grandes novidades da dupla Ba x VI são os meninos Ramon (158 anos) e Edilson Capetinha, que disputou a Copa de 1962, no Chile. Afinal, quem vive no inferno tem mesmo é que se abraçar com o demônho.
Achando pouco, o Vitória está acertando o retorno de Uéslei, que foi campeão baiano antes da segunda guerra. Este, além da avançada idade, está um pouco mais gordo do que Ronaldo Albertini. Porém, ainda não se sabe se também aderiu aos, digamos assim, gostos exóticos.
E já que falamos em gostos exóticos, o Bahia, por sua vez, trouxe Renato Gaúcho. O contrato é por uma temporada. Temporada de verão. Depois do carnaval, dizem as boas e más línguas, ele se pica.
Das equipes do interior, merecem destaque o Madre de Deus, que na primeira rodada não tinha elenco nem para compor o banco e o poderoso Camaçari, que até agora ainda não tem lugar para mandar suas partidas. Do restante, só o ECPP, de Vitória da Conquista, lutará para ocupar o posto de terceira força do futebol da província.
Para isso, a referida agremiação conta com o apoio da torcida organizada Gaviões da Jurema, que antigamente gritava por outro time da cidade de Conquista, Serrano. Talvez seja o caso único de torcida organizada que muda de time. Eles têm ainda outra organizada chamada Kriptonita. Só que a mandiga falhou e na última quarta eles receberam um sapeca do Bahia de 3 x 0.
Ah, sim. Já ia me esquecendo, mas é óbvio que para abrilhantar tão emocionante competição não poderia existir uma fórmula melhor e mais simples. Assim, os 12 times foram divididos em duas chaves de seis, enfrentando-se em jogos de ida e volta. No final, classificam apenas quatro… de cada grupo. Na sequência, novamente dois grupos, com os gladiadores se matando também em jogos de ida e volta para garantir a vaga na semifinal. Depois, mata-mata para ver quem vai poder se lambuzar de acarajé. Porém, amigos, na verdade, na verdade, nada disso importa, pois domingo teremos o primeiro Ba x VI do ano, a Mãe de Todas as Batalhas, e esqueceremos que o mudo é injusto e que existem presidentes de federação e de clubes que querem acabar com o futebol.
* Texto originalmente publicado no brioso Impedimento, blog de alta responsabilidade feito por gaúcho não praticantes.