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Vitória

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Vitória






RESULTADO DA ENQUETE

O Vitória deve alugar o Barradão para que o Bahia mande seus jogos?

1. Não. É um risco para o nosso patrimônio

84,49% (1019 votos)

2. Sim. Será mais uma renda extra.
15,51% (187 votos)

Total: 1.206 votos
Período: 15/11 à 15/12



 

      :: ENTREVISTA DO PRESIDENTE PAULO CARNEIRO CONCEDIDA AO JORNAL DA MANHÃ EM 19/11/2004.

JORNAL DA MANHÃ - Bom dia, Presidente. Tudo bem?
PAULO CARNEIRO - Tudo bem.

JM - Tudo em paz com o Vitória?
PC - Mais ou menos. Tudo em paz não pode estar.

JM - Amanhã é aquele jogo que dentro do futebol se chama jogo de 6 pontos. Dentro de casa, pega o Grêmio que vem tropeçando aos trancos e barrancos, mas deu uma levantadazinha no jogo passado. E isso aí preocupa?
PC - Nós estamos num momento em que todo jogo é uma preocupação. Ta se afunilando o final do Campeonato e o Vitória, pra surpresa de nós todos, está numa situação complicada, portanto todo jogo é complicado.

JM - Presidente, em abril a início de maio, o Vitória era semifinalista da Copa do Brasil, um dos líderes do Campeonato Brasileiro, um dos melhores times do futebol brasileiro, se não o melhor na época. E chega agora em novembro nesta situação de brigar pra não cair. O que foi que mudou? Aonde foi que a receita desandou?
PC - O futebol é um esporte coletivo. Não dá pra você identificar uma causa que tivesse sido determinante pra uma queda de rendimento tão acentuada. São várias as causas, mas eu poderia eleger uma delas, talvez pra mim, que vivo o clube intensamente, a mais relevante. Eu acho que o Vitória formou um time e não formou um grupo. Isso é às vezes... o time do Internacional de Porto Alegre que foi Campeão Brasileiro a última vez com Mário Sérgio, Toninho Camarão, esse que foi nosso preparador físico alguns anos atrás, eles não se davam, mas o time era Campeão. Não é nem o caso do nosso grupo, que são jogadores 90% deles formados no clube. Mas, houve uma falta de foco, uma falta de atenção, um pouquinho de falta de responsabilidade profissional muito grande. E pra nós dirigentes que ficamos com o... como se diz na gíria, o pepino na mão, é muito difícil agora explicar pra você como um time que era considerado um dos melhores times do Brasil e ainda tem um elenco que é um dos melhores elencos do Brasil, passa por uma situação tão complicada. Eu tenho dito a eles que somente eles podem resolver o problema que eles colocaram o Vitória.

JM - A gente pode falar que tem uma pessoa que desagregava?
PC - Não, não existe isso num grupo. Não é uma pessoa que desagrega. É uma falta de consciência coletiva, profissional. Você no seu ambiente de trabalho, você não precisa ter amizade.

JM - E como está a situação agora?
PC - Absolutamente normalizada, aparentemente normalizada. Eu acho que nunca será um grupo.

JM - Nunca será?
PC - Não. Este grupo, não. Talvez estes mesmos jogadores no próximo ano, sim. Hoje eles buscam de forma responsável, preocupados com o futuro deles. Não que seja um desastre irrecuperável um rebaixamento, porque isso é uma coisa que a mídia tem que acabar no futebol brasileiro, que ta havendo uma redução gradativa de clubes na 1ª divisão pra que a gente tenha duas divisões muito fortes e, com certeza, a partir de 2006, nós teremos cinco ou seis clubes tradicionais da 1ª divisão habitando a 2ª divisão, sempre. Porque teremos duas divisões de 20 clubes, então é uma coisa que nós temos que nos habituar para que a gente possa conviver com essa situação. Embora ninguém queira estar na 2ª divisão, seja na Alemanha, na Espanha, na Itália ou no Brasil.

JM - Mas olhando por este ângulo aí, deixa de ser um pouco preocupante para o Vitória e para o Presidente em particular a situação atual do time e o futuro com relação à primeira ou segunda divisão no ano que vem já, Presidente?
PC - Eu procuro administrar o presente e enxergar o futuro. Ontem eu estava no Rio de Janeiro assinando um acordo de operação com o Governo Russo. Ontem assinamos um acordo que já está na mídia nacional, com o Ministro, almoçamos juntos, nós e o Ministro dos Esportes da Rússia, do Governo Russo. Hoje ele está na delegação do Presidente Putin e ontem estava com o Vitória assinando um acordo de cooperação bilateral. O Vitória representando o Governo Brasileiro. Então o Vitória não está somente pensando no hoje. O Vitória pensa no primeiro semestre do próximo ano nós estaremos construindo nosso novo estádio.

JM - Mas sobre a Rússia, o que é que tem? Eu fiquei curioso agora. Que acordo é esse?
PC - E o jornalista sou eu... [ironizando]. É um acordo de futebol. Nós estamos buscando alinhar o interesse do Governo Russo em usar toda essa tecnologia que o futebol brasileiro demonstra, principalmente dentro de campo. E o Vitória foi escolhido por um grupo que o assessorava através da Câmara de Comércio Brasil-Rússia. Eu também almocei ontem com o Presidente da Câmara, ontem no Rio de Janeiro, e o Vitória foi escolhido como o clube referência para de alguma forma fortalecer o futebol russo no futuro.

JM - Agora vamos falar de um futuro próximo que é o jogo de amanhã. Claro que o técnico é soberano, tem autonomia pra decidir quem entra em campo. Mas, o que é que o Senhor acha? Que time o Vitória deve botar em campo? E analisando os resultados... O que seria melhor para derrotar o Grêmio?
PC - Isso eu não opino.

JM - Opinião de torcedor...
PC - Não existe opinião de torcedor. O Vitória vai colocar amanhã o melhor time que pode colocar pra ganhar o jogo do Grêmio.

JM - Presidente, a gente sabe que o Senhor tem dois grandes sonhos como dirigente do Vitória: um de conquistar o título nacional e o outro o novo estádio...
PC - Não. Não é verdade.

JM - O título nacional não seria um grande sonho?
PC - Não. Você nunca ouviu eu dizer isso. Eu acho que o título nacional é um sonho de todos, não é uma coisa particular minha. Qualquer torcedor sonha em ser campeão brasileiro. O Vitória já bateu na trave duas vezes na minha passagem no Vitória. O que eu posso lhe dizer é que o meu grande sonho sempre foi dar ao Vitória uma infra-estrutura que permita sua perpetuação. É pra isso que eu trabalho. O Vitória está fazendo mais 6 campos, começa a construir uma nova hotelaria em janeiro e estamos há dias de finalizar todo o processo de licenças e aprovação de projeto na Prefeitura para iniciar as obras (da Arena). Vai ser a maior obra de construção civil leve do Brasil a partir do 1º semestre do próximo ano. Estamos trazendo para Bahia, U$ 70.000.000,00 (setenta milhões de dólares) para fazer um grande complexo de entretenimento ancorado num estádio de futebol, com certeza o mais moderno da América Latina.

JM - Presidente, ontem a CBF definiu que o Campeonato de 99 vai ser decidido pela Federação Baiana de Futebol...
PC - E não cabe mais nenhum tipo de recurso, inclusive o advogado do bahia, eu soube lá no Tribunal, que recebeu um aviso do Tribunal que não entre mais com nenhum recurso porque agora não há mais volta. O bahia perdeu ontem pela 5ª vez, eu acho... ou 6ª. Agora tem que decidir. A Federação vai ter que decidir e dar o título ao Vitória.

JM - Evaristo fica para 2005, Presidente?
PC - Antes de terminar o Campeonato eu não sei decidir nada, até porque estamos num momento em que temos que estar focados em situações do hoje e não do amanhã em nível do futebol.

JM - O time está animado para amanhã? Tranqüilo?
PC - É, estamos aí numa corrida. Temos um pequeno campeonato de 5 jogos. E, precisamos somar 8 pontos em 5 jogos. Essa é a disputa que temos a partir de amanhã e espero que o nosso torcedor esteja consciente do momento difícil que o Vitória passa dentro de campo e possa estar presente amanhã no Barradão em grande número porque o campo não é neutro quando a torcida está presente; quando a torcida não está presente o campo é neutro.

JM - Muito obrigado, Presidente.