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ENTREVISTA
DO PRESIDENTE PAULO CARNEIRO CONCEDIDA AO JORNAL DA MANHÃ
EM 19/11/2004.
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JORNAL
DA MANHÃ - Bom dia, Presidente. Tudo bem?
PAULO CARNEIRO - Tudo bem.
JM - Tudo em paz com o Vitória?
PC - Mais ou menos. Tudo em paz não pode estar.
JM - Amanhã é aquele jogo que dentro do futebol se chama
jogo de 6 pontos. Dentro de casa, pega o Grêmio que vem tropeçando
aos trancos e barrancos, mas deu uma levantadazinha no jogo passado.
E isso aí preocupa?
PC - Nós estamos num momento em que todo jogo é uma preocupação.
Ta se afunilando o final do Campeonato e o Vitória, pra surpresa
de nós todos, está numa situação complicada,
portanto todo jogo é complicado.
JM - Presidente, em abril a início de maio, o Vitória
era semifinalista da Copa do Brasil, um dos líderes do Campeonato
Brasileiro, um dos melhores times do futebol brasileiro, se não
o melhor na época. E chega agora em novembro nesta situação
de brigar pra não cair. O que foi que mudou? Aonde foi que a
receita desandou?
PC - O futebol é um esporte coletivo. Não dá pra
você identificar uma causa que tivesse sido determinante pra uma
queda de rendimento tão acentuada. São várias as
causas, mas eu poderia eleger uma delas, talvez pra mim, que vivo o
clube intensamente, a mais relevante. Eu acho que o Vitória formou
um time e não formou um grupo. Isso é às vezes...
o time do Internacional de Porto Alegre que foi Campeão Brasileiro
a última vez com Mário Sérgio, Toninho Camarão,
esse que foi nosso preparador físico alguns anos atrás,
eles não se davam, mas o time era Campeão. Não
é nem o caso do nosso grupo, que são jogadores 90% deles
formados no clube. Mas, houve uma falta de foco, uma falta de atenção,
um pouquinho de falta de responsabilidade profissional muito grande.
E pra nós dirigentes que ficamos com o... como se diz na gíria,
o pepino na mão, é muito difícil agora explicar
pra você como um time que era considerado um dos melhores times
do Brasil e ainda tem um elenco que é um dos melhores elencos
do Brasil, passa por uma situação tão complicada.
Eu tenho dito a eles que somente eles podem resolver o problema que
eles colocaram o Vitória.
JM - A gente pode falar que tem uma pessoa que desagregava?
PC - Não, não existe isso num grupo. Não é
uma pessoa que desagrega. É uma falta de consciência coletiva,
profissional. Você no seu ambiente de trabalho, você não
precisa ter amizade.
JM - E como está a situação agora?
PC - Absolutamente normalizada, aparentemente normalizada. Eu acho que
nunca será um grupo.
JM - Nunca será?
PC - Não. Este grupo, não. Talvez estes mesmos jogadores
no próximo ano, sim. Hoje eles buscam de forma responsável,
preocupados com o futuro deles. Não que seja um desastre irrecuperável
um rebaixamento, porque isso é uma coisa que a mídia tem
que acabar no futebol brasileiro, que ta havendo uma redução
gradativa de clubes na 1ª divisão pra que a gente tenha
duas divisões muito fortes e, com certeza, a partir de 2006,
nós teremos cinco ou seis clubes tradicionais da 1ª divisão
habitando a 2ª divisão, sempre. Porque teremos duas divisões
de 20 clubes, então é uma coisa que nós temos que
nos habituar para que a gente possa conviver com essa situação.
Embora ninguém queira estar na 2ª divisão, seja na
Alemanha, na Espanha, na Itália ou no Brasil.
JM - Mas olhando por este ângulo aí, deixa de ser um pouco
preocupante para o Vitória e para o Presidente em particular
a situação atual do time e o futuro com relação
à primeira ou segunda divisão no ano que vem já,
Presidente?
PC - Eu procuro administrar o presente e enxergar o futuro. Ontem eu
estava no Rio de Janeiro assinando um acordo de operação
com o Governo Russo. Ontem assinamos um acordo que já está
na mídia nacional, com o Ministro, almoçamos juntos, nós
e o Ministro dos Esportes da Rússia, do Governo Russo. Hoje ele
está na delegação do Presidente Putin e ontem estava
com o Vitória assinando um acordo de cooperação
bilateral. O Vitória representando o Governo Brasileiro. Então
o Vitória não está somente pensando no hoje. O
Vitória pensa no primeiro semestre do próximo ano nós
estaremos construindo nosso novo estádio.
JM - Mas sobre a Rússia, o que é que tem? Eu fiquei curioso
agora. Que acordo é esse?
PC - E o jornalista sou eu... [ironizando]. É um acordo de futebol.
Nós estamos buscando alinhar o interesse do Governo Russo em
usar toda essa tecnologia que o futebol brasileiro demonstra, principalmente
dentro de campo. E o Vitória foi escolhido por um grupo que o
assessorava através da Câmara de Comércio Brasil-Rússia.
Eu também almocei ontem com o Presidente da Câmara, ontem
no Rio de Janeiro, e o Vitória foi escolhido como o clube referência
para de alguma forma fortalecer o futebol russo no futuro.
JM - Agora vamos falar de um futuro próximo que é o jogo
de amanhã. Claro que o técnico é soberano, tem
autonomia pra decidir quem entra em campo. Mas, o que é que o
Senhor acha? Que time o Vitória deve botar em campo? E analisando
os resultados... O que seria melhor para derrotar o Grêmio?
PC - Isso eu não opino.
JM - Opinião de torcedor...
PC - Não existe opinião de torcedor. O Vitória
vai colocar amanhã o melhor time que pode colocar pra ganhar
o jogo do Grêmio.
JM - Presidente, a gente sabe que o Senhor tem dois grandes sonhos como
dirigente do Vitória: um de conquistar o título nacional
e o outro o novo estádio...
PC - Não. Não é verdade.
JM - O título nacional não seria um grande sonho?
PC - Não. Você nunca ouviu eu dizer isso. Eu acho que o
título nacional é um sonho de todos, não é
uma coisa particular minha. Qualquer torcedor sonha em ser campeão
brasileiro. O Vitória já bateu na trave duas vezes na
minha passagem no Vitória. O que eu posso lhe dizer é
que o meu grande sonho sempre foi dar ao Vitória uma infra-estrutura
que permita sua perpetuação. É pra isso que eu
trabalho. O Vitória está fazendo mais 6 campos, começa
a construir uma nova hotelaria em janeiro e estamos há dias de
finalizar todo o processo de licenças e aprovação
de projeto na Prefeitura para iniciar as obras (da Arena). Vai ser a
maior obra de construção civil leve do Brasil a partir
do 1º semestre do próximo ano. Estamos trazendo para Bahia,
U$ 70.000.000,00 (setenta milhões de dólares) para fazer
um grande complexo de entretenimento ancorado num estádio de
futebol, com certeza o mais moderno da América Latina.
JM - Presidente, ontem a CBF definiu que o Campeonato de 99 vai ser
decidido pela Federação Baiana de Futebol...
PC - E não cabe mais nenhum tipo de recurso, inclusive o advogado
do bahia, eu soube lá no Tribunal, que recebeu um aviso do Tribunal
que não entre mais com nenhum recurso porque agora não
há mais volta. O bahia perdeu ontem pela 5ª vez, eu acho...
ou 6ª. Agora tem que decidir. A Federação vai ter
que decidir e dar o título ao Vitória.
JM - Evaristo fica para 2005, Presidente?
PC - Antes de terminar o Campeonato eu não sei decidir nada,
até porque estamos num momento em que temos que estar focados
em situações do hoje e não do amanhã em
nível do futebol.
JM - O time está animado para amanhã? Tranqüilo?
PC - É, estamos aí numa corrida. Temos um pequeno campeonato
de 5 jogos. E, precisamos somar 8 pontos em 5 jogos. Essa é a
disputa que temos a partir de amanhã e espero que o nosso torcedor
esteja consciente do momento difícil que o Vitória passa
dentro de campo e possa estar presente amanhã no Barradão
em grande número porque o campo não é neutro quando
a torcida está presente; quando a torcida não está
presente o campo é neutro.
JM - Muito obrigado, Presidente.

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