O Canal ECVitória entrevistou o craque Paulo Isidoro, revelado nas divisões de base do Vitória e que atualmente está sem clube, embora estude uma proposta para permanecer no Fortaleza, onde disputou a Série B do Brasileirão 2008.
Paulo Isidoro está em Salvador finalizando tratamento fisioterapêutico com Dr. Arivan Gomes e cuidando da parte física com o Prof. Ricardo Mendes. Nesta entrevista ele fala sobre o Vitória vice-campeão Brasileiro em 93, semelhanças com o ídolo Paulo Isidoro e sua carreira.
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Nome completo: Alex Sandro Santana de Oliveira.
Altura: 1,70m.
Peso: 65,0kg
Chuteira: 40
Data de Nascimento: 30/10/73
Naturalidade: Salvador – Ba (Candeal da Fonte do Governo / Bairro de Brotas) | |
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Canal ECVitória - Onde está a maior semelhança com o Paulo Isidoro que jogou na Seleção Brasileira de 82: na aparência ou no futebol?
Paulo Isidoro: [risos] Para mim dizer que foi pelo futebol será prepotência de minha parte, até porque ele foi um grande jogador e chegou até a disputar uma Copa do Mundo. Porém, eu acho o jeito de correr, já que ele tem pernas compridas também, mas eu sou mais bonito [gargalhadas].
#ECV - Você já teve contato com o outro Paulo Isidoro?
PI - Por incrível que pareça, ainda não. Nas duas vezes em que iríamos fazer matéria juntos houve desencontros. Uma pena, porque eu gostaria muito, mas ainda vou conhecê-lo.
#ECV - Quem o colocou essa apelido?
PI - Foi meu primeiro professor de escolinha. Ele é bem conhecido no meio, o nome dele é Moon da Bahia, que também já revelou outros craques como Bebeto Gama, Gil Baiano e outros que já passaram por sua escolinha!
#ECV - Como você chegou ao Vitória?
PI - Quando tinha dezesseis anos e estava jogando por uma escolinha de rua de nome Revelação do Futuro, do professor Paulo Silva, fomos fazer um amistoso contra o juvenil do Vitória no campo de cima, onde vencemos o Vitória. Na oportunidade eu fiz uma grande partida, daí fui convidado pelo então treinador Paulo Edson, que se impressionou com meu futebol.
#ECV - O Vitória de 1993 tinha um time formado por jogadores jovens. Qual o verdadeiro objetivo daquele grupo? Vocês imaginavam chegar tão longe?
PI - O time realmente tinha grandes valores individuais e pouca experiência. Digo em relação à divisão de base do rival, mas a qualidade era imensa da nossa parte e a amizade também. Depois que fizemos aquela campanha da Copa São Paulo, quando ficamos na 3.ª colocação, ficamos mais confiantes em ser profissionais, mas dizer que no mesmo ano chegaríamos a uma final de brasileiro ninguém imaginava.
#ECV - Quando vocês pararam pra pensar: Dá pra chegar ao título? O que faltou para a conquista da taça?
PI - Quando vencemos as duas primeiras partidas na Fonte Nova pegamos moral e o respeito até porque tiramos a invencibilidade do Corinthians. Acho que pegamos um time melhor que o nosso, muito mais experiente, com excelentes jogadores e um grande treinador emergente, Wanderlei Luxemburgo, que também soube neutralizar o nosso esquema tático. Se fosse qualquer outro time, ganharíamos com toda certeza.
#ECV - Até que ponto aquele pênalti sofrido por Pichetti na Fonte Nova e não marcado pelo árbitro Renato Masiglia influenciou na perda do título?
PI - Acho que o pênalti realmente aconteceu e poderia até ter mudado a história do jogo, mas tinha muito jogo ainda e também o de volta. Digo com propriedade que o time do Palmeiras era quase imbatível. Quando tive a oportunidade de ir para o Palmeiras no ano seguinte e participar conquistando o titulo de 1994, era muitíssimo forte, um time de impressionar.
#ECV - Depois que deixou o Vitória você atuou por quais clubes?
PI - Por alguns do Brasil e exterior como: Palmeiras, Inter-RS, Cruzeiro, Guarani, Kawazaki Frontalle (Japão), Malatyasport (Turquia), Fluminense-RJ, Portuguesa, América-RN e Fortaleza-CE.
#ECV - Qual o melhor momento de sua carreira?
PI – Olha, pra dizer a verdade são vários, graças a Deus. Por isso, são vários títulos, joguei com grandes jogadores, aprendi e aprendo muito até hoje. Além da campanha em 1993 e no Palmeiras, claro, eu tenho toda a certeza que foi no Cruzeiro, quando eu voltei ao cenário nacional fazendo muitos gols, conquistando títulos, reencontrei meu futebol, fui o vice artilheiro do clube no ano de 1999 atrás apenas do meu amigo irmão Alex Alves. Foi maravilhoso e produtivo.
#ECV - Em algum momento o Vitória fez uma proposta para que você retornasse à Toca do Leão?
PI – Não. Ficaria muito feliz se houvesse o convite. Seria uma honra defender esse clube novamente.
#ECV - Até quando você pretende jogar?
PI – [risos] Até quando me sentir produtivo e feliz de poder treinar no dia a dia, porque gosto muito do que faço.
#ECV - Rodrigo e Flávio trabalham no Vitória. Ao encerrar sua carreira você pensa em trabalhar no Vitória?
PI - Nada mais justo do que o clube abrir as portas pros seus ídolos que fizeram historia no Vitória e, com toda certeza terei algo de bom a dar, seja qual for o setor, desde que seja bom profissional e comprometido no que faça. Eu penso sim e, se isso for acontecer, vou fazer a diferença, seja como treinador ou um outro cargo. Ficaria muito feliz se isso viesse a acontecer.
#ECV - Você mantém relações de amizade com outros jogadores daquele grupo de 1993?
PI - Sem dúvida. Além do Alex Alves, que já citei, tem o Dida que também é meu amigo, o Rodrigo, o Vampeta, João Marcelo. São todos meus amigos e que gosto muito.
#ECV - O que mudou nas divisões de base do Vitória de sua época até hoje?
PI - Muita coisa mudou: a estrutura, o tratamento, o cuidado, a mordomia, a precocidade que os atletas ingressam no profissional. Está tudo diferente da nossa época.
#ECV - O Vitória sempre se destacou nos torneios internacionais, mas a melhor colocação na Taça São Paulo foi um terceiro lugar, justamente com o grupo que você fez parte. A que você atribui esses insucessos na Copinha?
PI – Não sei. No meu caso foi o contrário. Na época tinha sido o meu segundo torneio, o Vitória mal disputava competições fora do estado, não tínhamos experiência nenhuma na grande maioria, pra mim foi um excelente resultado e até hoje não conseguiram uma melhor colocação, mesmo com toda a estrutura que se tem hoje.
#ECV - Quando está de férias você visita a Toca do Leão?
PI - Quando vou visitar é sempre para rever os companheiros do tempo em que convivi na toca e em especial o Betão, professor da musculação. Gosto muito dele, merece uma estátua pelo profissionalismo e por todos esses anos no clube. É uma figuraça.
#ECV - Qual o fato mais engraçado ou curioso que você já vivenciou ou presenciou no Vitória?
PI – [Gargalhadas] Vou contar uma que não foi na toca do leão, mas envolvia a nós, jogadores da base. Fomos para Avenida [Sete de Setembro] no carnaval: eu, Vampeta, Alex Alves e mais alguns, todos empolgados, querendo nos divertir na folga que tivemos e ao chegar na Avenida Sete de Setembro, vinha o trio do Tiete Vips com uma música de sucesso da época: “Tiete Vips chegooou, ea ea oo” [cantarolando]. Quem não se lembra? O velho Vamp, feliz da vida, quando de repente levou um soco no olho que o fez ver estrelas. Daí tivemos que ir embora para concentração sem curtir nada. Contando agora é engraçado, mas na hora foi difícil. Desculpe o Vamp, mas até hoje comentamos isso e damos muitas gargalhadas.
#ECV - Deixe uma mensagem para a torcida rubro-negra.
PI - A minha mensagem é de agradecimento ao torcedor rubro negro, pelo carinho, pelo respeito durante todos esses anos, pelo reconhecimento ao meu trabalho e serviços prestados ao clube que me revelou pro Brasil e pro mundo. Tenho muito orgulho disso e de ter participado e contribuído no crescimento dessa instituição. Meu muito obrigado por tudo e até qualquer dia!
Fonte: Canal ECVitória