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Hall da Fama - Ricky. Por Marcelo Monteiro.

Marcelo Monteiro
marcelo.monteiro@terra.com.br
Recordar é viver

3/7/2009 21:01:20
Hall da Fama - Ricky

RICKY (Atacante: 1984 a 1986 e 1994)

 

 

Richard Tady Oweboriki, o Ricky, nasceu na Nigéria, no dia 16/07 /1961 (está prestes a completar 48 anos), chegou ao Vitória num momento em que o rubro-negro não estava bem no campeonato Baiano de 1984. Aliás, já vínhamos mal desde 1982, quando nem sequer fomos para a final do Baiano e também em 1983 ocorreu a mesma coisa, com isso ficamos de fora do Brasileirão de 1983 e de 1984.

 

Em 1983 disputamos a segundona e, em 1984 ficamos sem disputar uma competição nacional. Algo precisava ser feito, os nossos dirigentes demoraram a agir, esperaram o time começar a descer a ladeira logo no início do Campeonato Baiano de 84. Só depois de 2 empates e 4 derrotas é que os nossos dirigentes decidiram ir atrás de jogadores para reforçar o time. Foram ao Rio de Janeiro e, do América, trouxe os atacantes Framber e Ricky, que veio como contra peso. O nigeriano chegou a jogar 7 partidas no Brasileiro de 84 pelo América, fazendo 1 gol, mas na maioria dos jogos ele começava no banco e entrava no 2º tempo.

 

O América tinha um ataque muito bom, composto de Gilson Gênio, Gilcimar e Luisinho. Logo não houve dificuldade para o América liberar o atacante para o Vitória e ninguém esperava que Ricky viesse a estourar aqui no rubro negro. Logo na estreia de Ricky, no dia 15/07/1984, um Ba-Vi, prova de fogo para o jovem nigeriano. Às vésperas de completar seus 23 anos, o rubro negro vinha com um trio de atacantes: Framber, Lula Mamão e Rick, contra o então favorito, Jahia.

 

Ricky jogou uma barbaridade naquele dia, jogou demais, e os zagueiros do Jahia: Amadeu e Edson Soares sofreram com a velocidade de Ricky, ficando tontos. O nigeriano também era bom nas bolas altas,  fim de jogo: Vitória 1x1 Jahia , com um gol de Ricky e o mesmo foi escolhido o melhor jogador da partida e, logo receberia  o apelido de “A Gazela Negra da Toca”, enfim, o Vitória tinha um novo ídolo.

 

Depois do Ba-Vi, o Vitória emendou um sequência de bons resultados. Vencemos o Redenção por 3 a 1, o Atlético de Alagoinhas por 2 a 1 (com um gol de Rick). Não deu para classificar a equipe para a semifinal do 1º turno devido ao mal começo de campeonato (Rick chegou no fim da fase de classificação do 1º turno), mas todos (imprensa, torcedores e comissão técnica) sabiam que no 2º turno as coisas iriam melhorar.

 

A torcida voltava, em maior número, a freqüentar a Fonte Nova. O Rubro-Negro iniciava   o 2º turno com um sensacional Ba-Vi, que mais uma vez terminou empatado em 1 a 1, com Rick fazendo de novo o gol do Leão Machão. Depois veio uma sequencia de empates que prejudicaram o Vitória na classificação: 3 a 3 contra o Atlético (com 2 gols de Ricky), 1 a 1 contra o Itabuna ( com 1 de Ricky),  0 a 0 contra a Catuense e 0 a 0 contra o Leônico, com o excesso de empates  (7 em 9 jogos), o Vitória não se classifica para as finais do 2º turno, mas ainda tinha o 3º turno e Ricky descambava em fazer gols.

 

Mais um Ba-Vi (dia 28/10) e mais um empate de 1 a 1 com mais um gol de Ricky, que fez mais 2 contra o Itabuna (3 a 2  para o Vitória) e mais 2 contra o Fluminense (3 a 1 para o Vitória). Nos classificamos para as finais desse turno mas não conseguimos ser campeões (perdemos o titulo do turno para a Catuense). O Vitória estava fora das finais do campeonato, mas Ricky consegui empatar na  artilharia do campeonato com Osni, do Jahia, com 15 gols, só que Ricky realizou menos partidas que Osni.

 

Para o ano de 1995 os dirigentes fizeram um planejamento para entrar com força no Baianão e retomar o título (o último tinha sido em 1980). O 1º passo foi adquirir o passe do Nigeriano, para a alegria da nação Rubro-Negra, mas isso só não bastava, precisávamos de mais reforços e os dirigentes correram atrás. Foram buscar o volante Bigu, do Flamengo e o ponta Heider, do Cruzeiro. Vieram ainda o meia Ivan Formiga, o zagueiro Alexandre Neto, o ponta esquerda Jésum, do Jahia, e mais alguns da divisão de base que foram promovidos ao grupo de profissionais, a exemplo do goleiro Demilson, do lateral Dema e do zagueiro Fernando. Pronto, estávamos firmes e fortes, preparados para a disputa do Baianão.

 

Nos concentramos somente nessa competição, pois não iríamos disputar nesse ano o Brasileiro. Antes de começar o Baiano fizemos um amistoso com o Jahia, na Fonte Nova (dia 19/05/1985) e vencemos por 1 a 0  com um golaço de Jesum, cobrando falta. No dia 14/08 iniciamos o campeonato com uma goleada de 4 a 0 sobre o Botafogo, com 2 gols de Ricky e 2 gols de Ivan. O nigeriano já mostrava logo seu cartão de visitas, a “Gazela Negra” já demonstrava seu talento de “matador”. Na área não tinha pra ninguém, se a bola sobrasse pra ele era saco. Depois desse jogo o Vitória venceu o Ypiranga por 3 a 1, empatou com o Serrano,  em Conquista, por 1 a 1 e pelo mesmo placar empatou com o Flu, em Feira.

 

Ricky voltou a marcar no dia 28/08, no empate de 2 a 2 diante da Catuense (fez um gol). No 1º Ba-Vi do ano, mais um empate de 1 a 1 (Rick não fez gol). O Vitória estava invicto, foi então que, já pala 2ª fase do 1º turno, no dia 15/09, o Vitória venceu o Serrano por 5 a 1 e Rick faz 4 gols. Veio outro Ba-Vi, no dia 29/10 e, dessa vez deu Vitória, vencemos por 2 a 0, com um gol de Rick, quebrando um longo tabu, pois o Vitória não vencia o Jahia pelo campeonato Baiano havia 4 anos (desde agosto de 81).

 

Chegamos à final do campeonato Baiano e no dia 20/12 o Vitória derrotava a Catuense por 2 a 1, dessa vez Rick não fez gol, mas o Nigeriano foi o principal responsável pela conquista do titulo, pela campanha primorosa do E.C.Vitória, conseguiu também a artilharia do campeonato com 22 gols (4 a mais que Bobô da Catuense, o 2º colocado) e virava ídolo da torcida rubro negra, consagrado e reverenciado como herói do Vitória. Sua  raça demonstrada em campo, juntamente com a velocidade, força e impulsão nas bolas aéreas, chamou a atenção de clubes estrangeiros. Equipes da França e de Portugal estavam de olho no futebol do nigeriano e o Vitória fez de tudo para segurar o craque aqui na toca, e conseguiu durante algum tempo.

 

O Campeonato Baiano de 1986 começou no inicio do ano, o Vitória estreava dia 16/02 com uma goleada de 3 a 0 sobre o ABB e Ricky voltou a fazer gols na 4ª partida do rubro negro no campeonato, no dia 25/02 Rick marcou o gol da vitória sobre o Serrano por 1 a 0, marcou mais um, dessa vez em Feira (dia 02/03) no triunfo de 1 a 0 do Vitória sobre o Fluminense, marcou outro no Ba-Vi do dia 30/03, quando houve um empate de 1 a 1. Seu último gol no Campeonato Baiano foi no dia 23/04/1986, em Itabuna, na derrota do Vitória para o time Grapiúna por 2 a 1, daí não teve mais jeito de segurar o atacante aqui em Salvador. O Lê Havre, da França, contratou o craque e a torcida ficou triste, deu adeus ao seu grande ídolo. O futebol de Ricky iria para a França brilhar no campeonato Francês, depois de perambular pelo mundo da bola, Ricky voltaria a jogar no clube que se destacou no cenário do futebol 8 anos após a sua saída.

 

Ricky retornou à toca para a disputa do Brasileirão de 94, no ano posterior à conquista do vice-campeonato Brasileiro e estreou na 5ª partida do Vitória, no jogo do dia 28/08, quando o rubro-negro perdeu no Mineirão para o Atlético por 3 a 1, e Ricky fez o dele. No jogo imediatamente posterior, contra o São Paulo, o Vitória arrancou um empate importante no Morumbi por 2 a 2, e mais uma vez Ricky fez o dele, Roberto Cavalo fez o outro gol rubro-negro. A essa altura a torcida estava eufórica, pois em 2 jogos, 2 gols de Rick, uma média de 1 gol por partida, porém o que se viu nos jogos seguintes foi um Ricky já sem o mesmo faro de gols e velocidade de oito anos passados.

 

O nigeriano viria a jogar mais 7 partidas pelo rubro-negro sem fazer nenhum gol. Já no seu antepenúltimo jogo com a camisa do Vitória, o então técnico Fito Neves, já tinha perdido a paciência com o atacante que deixara de fazer gols e ele já não jogava mais uma partida inteira. Ou entrava no 2º tempo, ou era substituído. Há de se considerar que o atacante já estava com seus 33 anos e não tinha mais todo o fôlego que tinha antes.

 

O que Ricky fez pelo Vitória nunca será esquecido pelos torcedores que o viram jogar. Ele foi um dos maiores ídolos de todos os tempos do E.C.Vitória. Ganhou o titulo de 85, desbancando a hegemonia do Jahia. Sempre demonstrou vontade de jogar no Vitória e jogava com alegria, com raça, e sempre honrou as cores da nossa camisa. Era bom por baixo e por cima, pois cabeceava muito bem, sabia se colocar na área, era rápido, um dos atacantes mais rápidos que já jogaram no Vitória. Enfim, era um atacante completo.

 

Naquele tempo, a torcida do Vitória se fazia presente à Fonte Nova para vê-lo jogar. Ele era a maior atração nos jogos, e tinha também aquela música de Jimmi Cliff, “Reggae Night”, que fez muito sucesso na época e que a torcida relacionava com Ricky e embalava a nossa torcida e alegrava nossos corações. Naquela época a torcida do Vitória não tinha mais vergonha de ir ao estádio, depois de anos de decepção e derrotas após a conquista do titulo baiano de 1980, mas  Ricky fez renascer, no seio da nossa torcida, a alegria de ser Vitória, a felicidade e a honra de ser rubro-negro estavam de volta em 1985, graças ao nosso Ricky. Por isso, Richard, agradeço a ti por tudo que você fez pelo nosso clube, pela enorme alegria que tu nos destes, você foi e continuará sendo um dos maiores jogadores da nossa história. Obrigado, Gazela Negra da Toca!

 

Números de Ricky no Vitória:

Total de gols: 65 gols (47 em jogos oficiais e 18 em amistosos) em 79 jogos

Média de gols: 0,82 por partida

Gols ano a ano (partidas oficiais e amistosas):

1984: 20 gols

1985: 33 gols

1986: 10 gols (até final de abril)

1994: 2 gols (só jogou 9 partidas)

 

Titulo conquistado: campeão baiano de 1985

Titulo pessoal: Artilheiro dos campeonatos baiano de 1984: 15 gols e de 1985: 22 gols.

 

Por: Marcelo Monteiro

 

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